Era uma vez um riacho muito bonito que serpenteava pelas montanhas. Em certo ponto de seu percurso, na planície, notou que à sua frente havia um pântano imundo, por onde deveria passar. Então, falou com Deus e, irado, protestou:
– Senhor, que castigo! Eu sou um riacho tão límpido, tão formoso, e você me obriga a atravessar um pântano sujo como esse! Como faço agora?
Deus respondeu:
– Isso depende da sua maneira de encarar o pântano. Se ficar com medo, você diminuirá o ritmo de seu curso, dará voltas e, inevitavelmente, acabará misturando suas águas com as dele, o que o tornará igual a ele. Mas, se você enfrentá-lo com velocidade, vontade, força e decisão, suas águas passarão tão rapidamente pelo pântano que as dele, sujas e fétidas, não as alcançarão, e elas, intactas, retomarão seu curso normal; caso ele seja muito forte, as águas limpas espalhar-se-ão sobre as dele, a umidade irá transformá-las em gotas que formarão nuvens e serão levadas pelo vento em direção ao oceano. Aí, você será transformado em mar.
Assim é a vida. As pessoas engatinham nas mudanças. Quando é necessário modificar atitudes, seu passo é lento e indeciso; quando ficam assustadas, paralisadas, pesadas, tornam-se tensas e perdem a fluidez e a força. É preciso entrar para valer nos projetos da vida, atravessando os pântanos com valentia e decisão ou tendo a paciência de aguardar até que os rios se transformem em mar. Se uma pessoa passar toda a sua existência fugindo do sofrimento, também acabará evitando o prazer que ela oferece. Há milhares de tesouros escondidos em lugares aonde devemos ir para descobri-los. Existem riquezas guardadas numa praia deserta, numa visita prometida, numa noite estrelada, numa caverna escondida, numa viagem inesperada… O importante é ir ao encontro delas, ainda que isso exija uma boa dose de coragem e desprendimento.
Não procure o sofrimento, mas, se ele fizer parte da conquista, enfrente-o, suporte-o e supere-o. Arrisque, ouse, avance na vida. Ela é uma aventura gratificante para quem tem coragem de arriscar.